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Blog de Apoio ao Girl, Interrupted


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[Quarta-feira, Novembro 26, 2003]

Pq sim, meu amor...

Porque quando eu falo com vc, dói meu estômago...
porque quando eu penso em vc com outra, meu nariz arde...
porque por vc eu perco o sono...perco o tino...
porque eu não consigo respirar, não consigo pensar...
porque eu não consigo mais decifrar o que vc pensa a meu respeito...
porque de repente vc se tornou mais forte que eu e assumiu o jogo...
porque meus olhos querem pular de órbita se vc demora a me responder...
porque eu tenho medo que vc não seja a resposta para minha frustração...
porque quando eu te vejo vc personifica a minha felicidade...
porque eu seria muito mais feliz com vc do que só comigo mesma.
E agora me diz...por que tem que ser assim?




por Fernanda Armstrong * 11:20 PM

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[Quinta-feira, Novembro 13, 2003]

Post-it always stick twice...
( a primeira separação de Clarice e Sam)

Não conseguira pregar os olhos a noite toda. E quando o relógio digital apitou as 3:00 A.M, ela desvencilhou-se dos braços de Yuri e foi até a janela do apartamento. O ar abafado de fim de novembro a deixava nostálgica. Acendeu um cigarro e em meio a baforadas lentas, se permitiu chorar. Clarice perdeu o ar de mulher inabalável e mais parecia aquela menina cheia de ilusões de antes. É...Antes já fazia tanto tempo...antes não tinha nada comparado ao que tem hoje, por que então, se sente tão vazia?
Olha para Yuri...com certeza um exemplar do sexo oposto de dar orgulho a qualquer mulher. Bonito e boa companhia. Trabalhava com ela e era seu segundo affair depois de Sam.
No fundo, sabe que ele é só mais um...mais um tentando ocupar o lugar de alguém que se foi pra sempre. E involuntariamente, as cenas surgem em sua cabeça, como se estivesse vendo a um filme triste:


Era uma noite de quinta-feira e ela voltou para casa mais tarde. Chovia de modo agradável e ela havia se perdido um pouco no meio dos relatórios no escritório. Estava satisfeita consigo mesma, orgulhosa por sua ambição estar atingindo patamares consideráveis.
Chegou em casa e saindo do elevador, sentiu estar pisando em algo macio, achou estranho e resolveu acender a luz. Deparou-se com um caminho de rosas coloridas que iam da porta do elevador até a porta de seu apartamento. Continuou caminhando, abriu a porta e se deparou com flores, velas e aromas novos. Uma música de fundo e uma mesa posta. Olhou para os pratos: macarrão a putanesca e escalopes de filé. Vinho tinto e chocolate.
E ao virar a cabeça, o culpado pela cena novelesca dormindo copiosamente na poltrona azul da sala. Na certa Samuel estava lá há muito tempo esperando por Clarice, e havia caido no sono esperando sua amada.
Um calor incomensurável percorreu as veias de Clarice e ela desandou a chorar. Foi até ele, sentou em seu colo e o abraçou.
Ele acordou.
- Já chegou amor, estava te esperando...
- Não diz nada...me abraça...

Fizeram amor a noite toda e aproveitaram cada take daquela cena romântica clichê.
No dia seguinte, Samuel acordou sozinho. E ao procurar por Clarice pelo apartamento, deparou-se com um POST-IT colado no vidro do banheiro:



Quando Clarice voltou naquela noite para casa, encontrou o vidro do banheiro estilhaçado e milhões de recados em sua secretária eletrônica. E assim se seguiu durante semanas, ele procurando e ela fugindo, e enfim um dia, cessou.
"Na certa desistiu de mim.", concluiu Clarice e respirou pesado, fingindo estar aliviada. Mera ilusão. Não seria fácil deixar ele para trás.


por Fernanda Armstrong * 8:31 PM

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Amor é para os fracos...
(continuação da 1ª separação de Clarice e Sam)

Faziam exatos 13 meses que estavam juntos e aquilo a deixava desnorteada. Haviam realizado tudo que ela havia sonhado num relacionamento e ele parecia ser o homem da sua vida, se isso existisse de fato. Queria ficar do lado dele o tempo todo, seu mundo girava ao redor de Sam e ele parecia sentir o mesmo por ela.
E naquela noite, quando tudo parecia ser surrealmente perfeito, ela surtou.
Escreveu o post-it com frieza, pegou o carro e saiu de pijama sem rumo em direção a lugar algum. Debaixo do braço, o caderno de capa preta que servia como diário e onde ela escreveu, sentada no calçadão de uma praia qualquer:




E ela tinha razão. Agora ali, olhando pela janela naquela noite quente, ela chorava. Havia se imposto barreiras para não lembrar disso a cada momento do seu dia, "Não vivo do passado", costumava dizer ela, mas momentos como aquele, eram inevitáveis quando tudo o mais parecia ser sem cor.
E ao deitar a cabeça no travesseiro para tentar dormir, desejou que o destino existisse e lhe desse uma segunda chance, e que ao invés de Yuri, da próxima vez estivesse acordando ao lado de Sam.


por Fernanda Armstrong * 8:19 PM

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[Sábado, Novembro 08, 2003]

Dogma

Deus é um sádico e o destino um joguete cruel.
Sádico sim...ele nos dá momentos de tão extrema alegria e nos faz sentir os seres mais iluminados de toda face do planeta, para depois, em questão de "minutos", tirar tudo e nos deixar deitados no chão frio, ouvindo músicas melancólicas e lembrando pro resto da vida, desses tais momentos de felicidade. E isso acontece repetidas vezes ao longo de toda a nossa vida...morde-assopra infinito...
Ele mostra como é bom ser amada e depois nos mostra como é triste dormir sozinha.

E para completar, há o destino. Por mais que o final seja feliz, passamos por inúmeras provações doloridas, que dilaceram a alma para então, algo começar a dar certo. E se ainda assim der errado de novo, só resta dizer " Ahhh devia ser destino mesmo...".

Entende o que eu quero dizer? Não é uma questão de heregia. É como aquela música que diz " Pra que chorar? Se amanhã tudo muda de novo...". Nenhum sentimento, sensação, momento, situação me parecem fortes o bastante para sofrer ou para se alegrar. Nada é enfim, eterno. Com uma rajada de vento todas as folhas mudam de lugar de novo...

Eu digo coisas que na verdade não ponho em prática. Pra ser sincera, faço exatamente o contrário. Ou seja, sofro, dou risada, choro e grito mesmo sabendo da efemeridade (existe isso?) de tudo.
Deus sádico, destino cruel, eu uma ironia ambulante. Há algo de muito errado no mundo...



por Fernanda Armstrong * 11:09 AM

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