|
Blog de apoio ao Girl, interrupted.
Aqui serão publicados textos linkados do blog principal
|
Terça-feira, Maio 04, 2004
Like a bad medicine
(Sam lê a sorte no biscoito chinês)
Chuva torrencial. Atravessa a rua num fôlego só e entra na Lavanderia Ling. "Hi Mr. Ling...what a night ,huh?" diz ao velhinho com cara macilenta e ares de tédio. Deixa as roupas sujas de uma semana no balcão e ao sair, esbarra num ser de capuz que entra todo esbaforido e molhado. Molhada, na realidade. Marla murmura algo em um mandarim muito bonito e sonoro para o Mr. Ling e vira para Sam, ainda na porta, inerte. Cabelos curtos e avermelhados, olhos levemente puxados e um coturno desbotado. Diz algo sobre o tempo...algo sobre chuva...algo sobre felicidade em biscoito chinês...Sam levemente atordoado concorda com o que ela diz e sorri. Um calafrio percorre sua espinha e ele se imagina deitado na cama com Marla. Sua pele clara contrastando com um lençol escuro. Um insigh...igual a que teve quando conheceu Clarice.
Pq raios as mulheres lhe aparecem quando está chovendo?
Ele sabia tdo que ia acontecer, sabia que iriam tomar um café, e ela iria falar sobre bandas de rock que ele também gostava. Sabia que iriam passar semanas trocando e-mails, até que numa tarde fria ele iria até a casa dela com o pretexto de ver um livro sobre Dali e que iriam passar as proximas 3 noites dentro do quarto. Sabia que aqueles olhos asiaticos e aquele surrealismo crescente iriam lhe atordoar e deixa-lo apaixonado. Sabia também e porém, que ela iria deixá-lo para trás e seguir viagem. Ela não era mulher de ficar presa, ele sabia. Sabia que ia chorar durante um dia inteiro e tomar um porre fenomenal a noite lembrando da maneira que ela dava risada e de como sua pele tinha cheiro de grapefruit. Ele sabia de tudo.
Mas naquele dia chuvoso pouco importava de fato. Ela era diferente de Clarice. O oposto. E era tudo que ele precisava no momento.
posted by Fernanda Armstrong at 9:15 PM
|
|